quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Larguei meu 38trêsoitão!

E foi-se o Santiago, repórter cinematográfico que fez uma nação gritar em torno de sua morte bestial, horrorosa e desprezível.
Tão desprezível quanto o silêncio geral sobre a omissão da Band em torno do fato. Porque a emissora não disponibilizou máscara de gás, colete, um assistente de câmera e outros requisitos básicos de segurança para o profissional?
O mesmo grupo de comunicação, há alguns meses, encheu seus intervalos comerciais com um texto editorial apoiando os 12 corintianos presos injustamente (?) na Bolívia acusados da morte do garoto Kevin Spada. Os 12 foram soltos, o garoto morreu e os pais choraram no meu ombro. Literalmente. Estive lá, entrevistei a família e chorei junto. Os criminosos da torcida organizada já brigaram outras vezes, invadiram o CT do Corinthians, ameaçaram outras pessoas de morte e nada. Nada aconteceu.
Nada aconteceu também com o filho do empresário Eike Batista, que, em alta velocidade atropelou e matou um homem no Rio de Janeiro em 2012. Não ficou preso um dia sequer. Foi condenado e sua pena- 2 anos de prisão – foi convertida em serviços comunitários. Devo dizer que o filho do empresário também pagou uma multa de 1 milhão de reais. E todas. Todas as grandes emissoras de televisão calaram sobre o assunto.
Esta semana o jogador de futebol do Cruzeiro, Tinga, foi vítima de racismo num jogo do clube mineiro no Perú. A gritaria, novamente, foi geral. Mas será que o grito pelo racismo do dia a dia aqui no Brasil é o mesmo?
Lembro-me bem da tragédia do Morro do Bumba, Niterói, em 2010. Morreram 267 pessoas na favela de ocupação desordenada construída sobre um lixão, sendo apenas 48 os corpos encontrados. Eu falo “pessoas”, mas para a grande mídia são gente de raça negra ou miscigenada, nordestinos e imigrados de zonas de extrema pobreza. A quem interessa?
Vou deixar a história mais clara.
Em janeiro de 2012, na Boite Kiss em Santa Maria 233 jovens morreram em incêndio. Eram de classe média ou alta, numa região de predominância branca, de etnia italiana ou alemã. Nesta segunda tragédia, as reportagens pediram insistentemente a apuração imediata de responsabilidades. Que tratamento a mídia e as autoridades dão aos relatos de eventos escandalosos e brutais que atingem cidadãos, independente de serem ricos ou pobres ou da sua etnia?
Seria bom se a coisa ficasse no campo da mídia, de onde falo com um pouco mais de propriedade porque nela milito. Mas, ultimamente tenho, por circunstâncias da vida, observado outros saberes. 
Alguém sabe informar porque a setor oncológico no Brasil não abre suas portas para hospitais e terapias complementares importantes e reconhecidos internacionalmente. Dou como exemplo o “Gerson Hospital” do México e sua terapia de Gerson, salvando vidas do câncer desde a década de 50. Ou ainda o Método Kovacisik, oferecido de graça em alguns pontos do Brasil e do Mundo. E o que dizer da descrença dos médicos tradicionais e da indústria farmacêutica sobre os fitoterápicos da nossa riquíssima flora? Vale questionar também o desestímulo que se tem pelas terapias holísticas, muitas vezes oferecidas em agrupamentos religiosos e mesmo em fundos de quintais. Quando se fala em cura quântica, então, logo chamam aqueles que se propõe a quebrar paradigmas de místicos, charlatões e outros rótulos afim de descaracterizar uma solução mais humana e menos onerosa.
Sim. É o dinheiro, meu caro. Quantas vidas a quimioterapia salvou e quantas abreviou? Temos isso quantificado? Qual o tamanho dessa engrenagem? O preço da vida anda caro. 
Na psiquiatria, a mesma indústria farmacêutica cria antidepressivos quase que mensalmente para as mais diferentes doenças. Fico a me perguntar se não criam também doenças. Mas basta conversar com um médico não alopático para perceber que, muitas vezes, os efeitos colaterais são mais evidentes que os efeitos positivos da droga.
Falei um pouco do lado B de duas grandes indústrias – comunicação e farmacêutica. Há muito mais por aí. E todos vemos. Mas nos acostumamos/anestesiamos de tal forma com tudo isso que ninguém mais quer erguer bandeira ou levantar a voz. A mesmice impera. 
Sei que alguns dirão pra eu me desarmar, pegar leve. Mas é que hoje, amigo....eu tô desarmado, larguei o 38tresoitao. É meu aniversário de 39 anos e eu precisava falar

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Meu pai


Meu  pai nunca foi um exemplo de ‘grande pai’. Tenho lembranças  terríveis do Job em tardes embriagadas na minha infância. Pai também nunca me acompanhou muito no futebol, minha maior paixão da infância.
Ultimamente, pela sua fragilidade psicológica e, talvez também a minha, andávamos mais próximos. Foi a São Paulo no lançamento do meu livro e parecia orgulhoso. É o que todos me disseram.
Mas pai era um homem cheio de defeitos. Um humano da melhor qualidade.
Dizem que quando nasci, em Ilha Solteira, só sabia ser amigos dos peões na Hidrelétrica e, por isso, nunca tinha alcançado o posto de chefe. Pai sempre gostou de pretos , pobres e desvalidos. E, desde já, digo que essa é maior herança que herdei do pai. Ele gostava de uma maneira visceral. Vivia a vida dos caras. Era amigo. Comia junto, levava pra trabalhar no campo. Tinha uma espécie de amor pela ‘não- soberba’.
Quero deixar claro que pai sempre ajudou, no imediato das coisas, todo mundo. Um bico pra esse, um dinheirinho praquele, uma roupa praquele outro. Nunca importou se ele estivesse na igreja, no prostíbulo ou no bar. Negócio do pai era ajudar.
Agora, já no final, me chamou um dia em sua casa e disse: “Filho, não brigue com as pessoas, controle-se, não fale alto, meu filho, não leva a lugar nenhum”. Falo isto com um misto de orgulho e raiva de mim mesmo, pois nunca consegui praticar com elegância essa característica de mansuetude  e  franciscana do pai.
Com o sumiço e a morte dele – recuso-me frontalmente a aceitar a morte, espiritualista que sou -  deu pra atestar, uma vez mais, o quanto o pai era e é amado. Sujeito cheio de amigos e sem facebook. A polícia ainda não sabe quem deu cabo do pai, ou se foi ele mesmo que deu cabo da vida. Mas vai continuar. Pai não para no senão da vida.
Eu já chorei o impossível, já briguei com ele no caixão, já fiz as pazes, o enterro é daqui a pouquinho. Mas tenho uma certeza tão absurda da presença dele aqui  que sinto a bronca dele comigo. Pai não dizia, mas a gente sabia: ele gostava de me ler.
Então tá aqui seu Jó, meus escritos,  às 3 da manhã, no teu velório. Há 2 dias sem dormir, seu filho sentou,  parou e te pediu perdão. Mando dizer também que te amo meu pai e que, daqui pra frente, não vai mudar muito a não ser que serei mais você e menos eu.
Vou te deixar um Guimarães Rosa, mineiro da tua terra, como forma de oração pra você e agradecimento  a essa gente que não tenho condições de falar pessoalmente:


— "Pai, o senhor está velho, já fez o seu tanto... Agora, o senhor vem, não carece mais... O senhor vem, e eu, agora mesmo, quando que seja, a ambas vontades, eu tomo o seu lugar, do senhor, na canoa!..." E, assim dizendo, meu coração bateu no compasso do mais certo.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

domingo, 15 de setembro de 2013

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Na esquina


No corre corre do dia a dia vi, na esquina de casa aqui em São Paulo duas cenas marcantes (a mim, marcaram). Ontem, na esquina, uma menina fazendo ponto. Linda, toda pintada e olhar triste. Lembrei Cazuza, lembrei Cartola (O Mundo é um Moinho). Hoje, na mesma esquina, um simpático gordinho com alguma doença neurológica (seria sindrome de down?) gesticulando e falando sozinho. Lembrei de Deus. E de quantos resgates temos nesse planeta. A cronicazinha de começo de noite lembra, no final, o frei Leonardo Boff. Com ele sigo meu dia, com a certeza de que se doer no outro, é necessário que doa em mim. E quando doer em mim também, a dor vai passar em todos.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Péssimo atendimento da Vivo e da Samsung

Foi mais ou menos assim. Vi o acesso de choro de Raphael Nadal. Ontem vi um doc do Oscar Schmidt. No meio disso tudo, tive acessos, abcessos e outros excessos com gentes outras, anônimas, que sequer tem a possibilidade de um acesso à internet, quanto mais um nome público. No domingo, pela manhã, meu smartphone amanheceu com a tela absolutamente escurecida. Não se via nada. Só se ouvia. Imaginei, na angústia digital que a vida tornou, o cego que se acalma com o toque, o som, o tato...Peguei estrada, visão que tenho. Trabalhei. Amigavelmente liguei para as duas empresas que me venderam o aparelho. a Vivo Redes Sociais doShopping Pátio Paulista e a Samsung Brasil. Meu aparelho é (era) um Galaxy Note Brasil. Bem, primeiramente a Vivo não deixa telefone em nenhuma de suas lojas. ASamsung Mobile Brasil, através de seu 0800, dizia numa gravação melancólica: nosso sistema está fora do ar, por favor, ligue mais tarde.....e fui ligando, ligando...até que atenderam, paguei um motoboy para levar meu aparelho até lá (além de trabalhar com Comunicação, tenho gente doente na família e o celular transformou-se nessa obsessão). Insisti, tive que falar com atendente, supervisora, diretora, indicaram uma assistência técnica e consegui uma ordem de serviço que dizia que meu display estava quebrado e minha bateria não era original. Sim, comprei o celular numa loja oficial da Vivo e a Samsung, parceira da Vivo, está me dizendo que a bateria não é original. Saí do trabalho, fui até a loja da Vivo. Depois de certa insistência a gerente atendeu-me, deu-me um número de protocolo e disse que "iria ver o que estava acontecendo". O aparelho que estou custa cerca de 2 mil reais, tenho 1 conta atrasada, mas quando perguntei se não havia um aparelho reserva ou algo do gênero para que eu pudesse colocar meu chip enquanto o problema não se resolve, recebi, como resposta: "Você tiraria do seu bolso pra dar a alguém?" . Bem, tirei da minha fé, obsessiva, é verdade, de que iria conseguir um aparelho ainda hoje. Hoje já é amanhã, mas encontrei, a menos de 1 kilometro do shopping da Vivo, no Extra, um celular por 79 reais. Comprei-o e meu celular está funcionando. Não tenho mais agenda, mensagens ou etc. E creio que terei que pegar tudo de novo, porque no papel de ordem de serviço que Samsung Mobile me deu, havia, em letras minúsculas, um aviso de que tudo poderia ser perdido (as palavras não são essas, mas querem dizer isto). Tudo isso pra dizer que se meu celular caiu, se algum sobrinho meu brincou com ele e derrubou, se eu quebrei o aparelho, a responsabilidade é minha. Mas que espero que o mérito da assistência, da resistência e da verdade, sejam recíprocas em marcas que tanto passam isso em suas propagandas. Não se trata de um desabafo. Nem de "ir até o fim". Irei. É chegado o tempo em que a verdade sobrepuja a mentira e que a vontade passa a ser menor que a Boa Vontade. Ricardo boechat, te entendo perfeitamente. Mas estou com a mãe recuperando e o pai com coisas outras e preciso do celular, ainda.

sábado, 31 de agosto de 2013

No princípio era o Verbo (e a Bola)

Araraquara, 31 de agosto de 2013

São quase 00:00 e, portanto,  setembro - primaveril, chegando. Data que diz tanto pra mim! Há alguns dias, muitos de vocês têm recebidos insistentes pedidos para divulgarem o livro, ‘A Bola e o Verbo – a crônica no futebol brasileiro’, que, junto à valorosa Editora Summus, lanço daqui a pouquinho.

Penso que este livro – uma adaptação do meu trabalho de mestrado no qual me debruço há exatos 8 anos - vai ser um divisor de águas na minha carreira, que sempre levei com profissionalismo.

A bola é minha companheira de infância. O futebol, em mim, não se conteve no ‘dentro de campo’ e extrapolou as 4 linhas. Fui estudá-lo e trabalhar com ele. Em meio à faculdade, aos problemas familiares e pessoais – refiro-me aqui a enorme gama de medicação que tomei/tomo desde os 18 anos de idade por uma série de motivos (far-me-iam escrever outro livro agora), e a todo o trabalho e cidades em que morei, este livro representa uma vitória.

Uma vitória de vida mesmo. Do filho perdido, dos relacionamentos desfeitos, das amizades desconstruídas. E também das coisas boas, como as relações reconstruídas e as novas, o aprendizado do refazer, a representação do filho através do livro, as viagens pelos confins do planeta, as grandes reportagens, a admissão da impotência diante de tanta coisa.

É bom frisar, ainda uma vez mais, que o livro leva a apresentação de um Ignácio de Loyola Brandão. Tem como prefaciador o Juca Kfouri e ainda o endosso do Roberto Cabrini e do Alberto Dines. Todos leram e quiseram escrever, devo dizer. Pra mim, que sou de Araraquara, o Ignácio escrever a apresentação tem um valor ainda maior. E quem conhece um pouco de comunicação sabe o que representam os outros nomes que endossam o livro.

É por tudo isto, e por uma série de outras coisas, que reafirmo a importância disso tudo. É mais ou menos uma grande catarse de tudo que deu errado na vida. E, se conto isso aqui, é porque tenho uma necessidade monstruosa de escrever. Aliás, entre todas as formas de arte - - o cinema, o teatro, a pintura, a arquitetura, a música e tantas outras – considero ainda a palavra escrita a mais sublime delas.

E é disso, da palavra escrita, do encontro entre a literatura e o jornalismo, que trata a “A Bola e o Verbo”.  Recebi ontem, com alegria, a informação, agora de forma oficial, que o livro vai ser lançado no dia 15 de outubro, uma terça-feira, no Bar do Torcedor, do Museu do Futebol, em São Paulo (o Bar e o Museu ficam no Pacaembú, na praça Charles Muller). Não vou economizar nos pedidos: divulgação, presença e compra do livros são as expressões fundamentais agora.

Minha vida é toda uma luta contra a dependência e um entendimento de interdependência. Interdependo de vocês. Um por um, tijolinho por tijolinho. Só vai dar certo se fizermos juntos.
Muito obrigado.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

A bola e o Verbo - a crônica no futebol brasileiro

Capa Oficial, já aprovada pela editora.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

O que você não sabe

Hoje, o jornal O Globo trouxe uma entrevista do técnico Ney Franco dizendo, entre outras coisas, que o goleiro Rogério Ceni, do São Paulo mina jogadores e "fritou" o meio Paulo Henrique Ganso no São Paulo. PH Henrique Ganso foi comprado do Santos numa negociação tumultuada e gigante, do ponto de vista financeiro.

VALE LEMBRAR QUE PH GANSO CUSTOU CERCA DE 24 MILHOES DE REAIS, valor mais alto para uma transferência entre clubes nacionais. O Santos recebeu apenas 45% do valor. O restante ficou com a DIS, grupo de investidores "donos" do jogador e a quem o Santos deve altos valores referentes a uma antiga negociação.(
R$ 4 milhões referentes a metade da dívi­da com o DIS por causa da transferência de Wesley para o Werder Bremen, em 2010, realizada pela gestão anterior do clube e contestada pelos mandatários atuais)


Na última sexta-feira, o Santos perdeu de 8 a 0 para o Barcelona e "sujou" a história do "clube mais famoso do Brasil". Na baixada, parte do Conselho do clube já fala em "impeachement" do atual presidente, Luis Alvaro de Oliveira.

Luis Alvaro de Oliveira, no entanto, conseguiu segurar Neymar por muito tempo no Brasil e agora o vendeu ao Barcelona em valores contestados pela própria DIS.

São bastidores do futebol que, muitas vezes, não chegam ao torcedor comum.
 .

terça-feira, 9 de abril de 2013

Sobre a morte de Kevin ou Diários de Motocicleta Moderno

A Bolívia é um país pobre. Aqui as pessoas são gentis. Alguns, mais ao Norte, tem características de seus antepassados, os índios, cicatrizadas em seus rostos. As cordilheiras são imensas. É de lá e também dos animais, de sua pele, que esta gente tira seu sustento. Percebo um imenso respeito deles pela montanha. Lembra-me Minas. É do morro que tiram seu sustento. 
Carregam a marca da dor no rosto, mas abrem um sorriso generoso na presença de nós outros, brasileiros.
Quando vinha vindo, no avião, uma senhora boliviana me disse " habla por favor siempre". E foi assim, com gentileza, calma e muito dor no coração que conversei com os pais, amigos e com toda sorte de gente que presenciou a morte daquele menino, o Kevin. Muita gente me perguntando o que acho da história. Toda vez que lembro do pai e da mãe começo a chorar. Penso que todos meus colegas, jornalistas, que falaram com os pais, devem sentir o mesmo.
Acho que devemos o mínimo de gentileza, conforto e justiça a estes afetivos e respeitosos bolivianos.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Impermanência

Mudanças constantes estão aí para ficar. Ouvi essa frase a primeira vez da boca do Roberto Schiavon, salvo engano meu faz parte de uma letra do Rush. Ontem senti, a primeira vez na vida, a instabilidade do Universo de forma visceral. A terr
a balançou. E não havia nada embaixo. Estamos soltos no universo. Somos mesmo uma piada de Deus. E quer saber? Me sinto seguro, tranquilo, cuidado. Nas palmas da mão deste Poder Superior que faz tremer e serenar. Foi mais ou menos assim:
http://www.sbt.com.br/jornalismo/noticias/27314/Apos-voo-turbulento-Corinthians-enfrenta-terremoto-no-Japao.html

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Atualizando o Corinthians no Mundial

Começo minhas primeiras impressões aqui do Japão com uma entrevista que fiz ainda no Brasil, a última da série sobre o Corinthians. O personagem fala por si sí...

http://www.sbt.com.br/jornalismo/noticias/27135/Serie:-Tite-revela-emocao-de-comandar-Corinthians-no-Mundial.html

Depois tivemos a passagem por Dubai. O vôo e um pouquinho da chegada está aqui

http://www.sbt.com.br/jornalismo/noticias/27189/Corinthians-faz-o-primeiro-treino-para-o-Mundial-em-Dubai.html

O primeiro treino em Dubai, o maior shopping do mundo,  a conversa ao pé do ouvido com o Tite e o treinamento do peruano Paolo Guerrero

http://www.sbt.com.br/jornalismo/noticias/27224/Em-Dubai-Corinthians-faz-treino-leve-e-vai-as-compras.html

Um pouco mais da expectativa em torno de Paolo Guerrero.

http://www.sbt.com.br/jornalismo/noticias/27233/Corinthians:-Paolo-Guerrero-se-recupera-e-pode-jogar-Mundial.html

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Impressões de Dubai


Dubai é linda. Tudo é grandioso e imponente aqui. Nossa passagem foi rápida. Daqui a pouco mais de 3 horas embarcamos para o Japão. Dedicamos todo o tempo ao trabalho. Portanto, sem mais delongas para grandes visitas. No entanto, nas conversas com os taxistas, com os porteiros e com toda sorte de gente que encontramos por aqui, deu pra ver e sentir a hospitalidade do povo do Oriente que desembarcou em busca de sonho e trabalho neste Oásis no Deserto. Que venha o Japão.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Caminhando...

Quando saí de casa a primeira vez foi pra jogar futebol. Era ainda um jovenzinho recém saído da infância. As viagens eram próximas, nos arredores de Araraquara. Contudo, tiveram um valor afetivo fundamental no meu caminhar....

Depois a faculdade, o jornalismo, a estética interna, a vontade de mudar o mundo. Logo mais, os empregos pelo país afora....volteios no sertão.

De todo meu caminhar, às vezes tortuoso, às vezes reto, nunca furtei-me daquilo que o poeta (seria Neruda?) disse: o caminho se faz caminhando.

Estou agora, neste exato momento, olhando para um Boeing 777 - 300 ER. É um baita avião da Emirates. Entro nele em 10 minutos e sigo para Dubai, depois vou ao Japão. Motivo: cobrir o Corinthians no Mundial. Motivação: minha vida.

Dedico esta viajem, meu trabalho e minha força de vontade, que aprimorei com o deleite de um artista, aos meninos pretos e pobres do bairro do Santana em Araraquara, onde cresci.

Sem vocês nada disso teria o menor sentido. E nós vencemos. Nós vencemos!

Vou estar atualizando os amigos no blog e por aqui. Torçam por mim.

terça-feira, 8 de maio de 2012

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Puta que pariu

Sou vergonha. Revolta, protesto e raiva.
Sou grená, vagões, ferrovias, história
Sou Fordinho do gol primeiro e Pereira Lima da ferrovia
Sou Maritaca, Ney, Dudú, Bergantim, sou tantos...
Sou a alma do Bazani que chora. Honrosa, mas chora

Sou brava e forte, fênix renascida
Sou corrompida, usada politicamente, sou mulher dos interesseiros

Sou santa e puta.

Sou torcida, coração, amor, pulso.

Sou nervos, pelo, flor...
Sou Fonte Luminosa

Hoje sou velha senhora, 62 anos, cansada, amarga...

Me usaram e usam,

Foram embora. Não jogaram. Grana, status, prêmio, bicho ou dinheiro?
Prestem atenção: pra mim o futebol nunca foi um fim e sim um meio!

Hoje é meu aniversário e tenho um pedido a fazer
Quem não gosta gostado de mim, vai embora. Afasta.

Sou Ferroviária. E não negocio minha história.



quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Em que parte do caminho nos perdemos...


Muito se tem falando, nos últimos tempos, sobre o perda da hegemonia brasileira no futebol. Discussão que ficou mais acirrada após a precoce desclassificação da Copa do Mundo da África. A gota d´água parece ter sido a emblemática derrota do Santos para o Barcelona na final do Mundial de Clubes, no Japão. Emblemática porque virou moeda corrente na boca da maioria esmagadora da mídia e dos próprios jogadores que “tomamos um banho de bola”. 

O discurso do conformismo encontrou, raramente, algum ponto discordante. Ironicamente, quem deu o contraditório foi o técnico do Barcelona, Josep Guardiola: “O Barcelona passa a bola como meu pai falava que vocês [brasileiros] faziam".

Pois é. Fazíamos em 1958 com jogadores como como Nilton Santos, Zagallo, Djalma Santos, Zito, Mazzola, Pepe, Dino Sani e Moacir. Sem falar, é claro, de Garrincha e Pelé. O jornalista e cineasta José Carlos Asbeg documentou em “1958, o ano em que o mundo descobriu o Brasil” aquele esquadrão que vencera a Suécia, o complexo de vira-latas da derrota de 50 e, de quebra, tocava a bola, de pé em pé. Nenhuma novidade.

Nada novo também 1962 no Chile ou 1970 no México (é bom dizer que aqui o início da Tv a cores ajudou sobremaneira no processo de construção do Brasil como o “país do futebol). Falamos até agora do futebol arte/vencedor. O utópico e ideal amálgama entre a vitória e a arte. O ético e o estético.

Mas não há como negar que o toque de bola do Barcelona remete à seleção brasileira de 82, comandada pelo mestre Telê. Exagero? Vejamos então as imagens da partida entre o Brasil e a Itália, de Paolo Rossi. Mesmo na derrota, depois de assistir, fica difícil evitar a expressão “futebol-arte”. O lateral esquerdo Júnior – o “capacete” - cansou de se deslocar a la “Daniel Alves” do Barcelona. E pergunto novamente: qual a novidade?

Claro que há também exemplos europeus. Historicamente, o futebol holandês talvez seja o que mais se aproxime do estilo de jogo aberto àquilo que chamamos de poesia. As muitas improvisações táticas da seleção de 1974, resultando no “futebol total”, ainda hoje é referência no esporte, mesmo com o perda do título para a Alemanha naquela Copa.

E, então, pergunto: em que parte do caminho nos perdemos? Longe de querer dar solução imediata à questão tão controversa, nos propusemos a lançar algumas ideias sobre o assunto.

A questão-raiz parece ser cultural. E aqui vou tomar emprestado parte de um texto escrito pelo Gilberto Gil, quando ministrou a Cultura do Brasil e, na ocasião, travava uma relação com o governo da Alemanha por conta da Copa naquele país.

O futebol tem muitas dimensões que se entrelaçam, formando um mosaico amplo, variado e global. Ele pode ser encarado como espetáculo, competição, ritual, metáfora, celebração, síntese, catarse. E tudo isso ao mesmo tempo. Mas não há apenas um futebol. Embora o conjunto de regras, o palco e a base do repertório sejam comuns, cada sociedade tem o seu modo próprio de jogar e de torcer, resultado de sua história e de sua cultura, e da interação de sua história e de sua cultura com as outras. O futebol tem, portanto, uma dimensão que integra as demais: trata-se de uma construção cultural. Abordá-lo enquanto fenômeno cultural, em suas relações múltiplas com o conjunto de signos e de expressões artísticas locais e planetárias, pode ser ao mesmo tempo uma experiência significativa e reveladora, em especial quando se realiza uma Copa do Mundo.
Tome-se, por exemplo, o caso do Brasil, país essencialmente sincrético e mestiço, seja racialmente, seja culturalmente, em que o futebol transformou-se no esporte nacional. O jogo de bola com os pés aportou em São Paulo na última década do século 19, cerca de 30 anos após a instituição, na Inglaterra, do livro de regras do "football association", uma iniciativa que perdura até hoje, capaz que foi de resumir e otimizar centenas e centenas de anos de experiências diversas de futebol, em países e contextos tão diferentes quanto a China dos imperadores e a Itália medieval. O novo esporte chegou na mala de um jovem aristocrata e logo tornou-se, ao lado do cricket, o esporte predileto da elite branca, restrito aos clubes sociais. Assim teria continuado, se os descendentes de escravos e índios não tivessem identificado na brincadeira semelhanças com a sua cultura.
Mais precisamente, com suas danças (como a embolada), suas lutas (como a capoeira) e todo o simbolismo de uma expressão própria da língua portuguesa que identifica tanto um movimento desconcertante de corpo, que permitia aos fracos perseguidos livrar-se de seus fortes perseguidores, enganando-os, quanto uma atitude, uma postura, um modo de ser, pensar e sentir: a ginga. O futebol se joga com os pés, as pernas e a cintura, e boa parte das manifestações culturais que se formaram no Brasil a partir da mistura de negros, índios e europeus baseia-se nos movimentos de pés, pernas e cintura. E na ginga. Foram necessários menos de 20 anos para os mestiços se apropriarem do futebol inglês, mesclarem aqueles movimentos, transformarem a ginga em drible e criarem o "futebol arte", expressão com que o mundo consagra o modo brasileiro de jogar.

Consideras as ponderações acima, não podemos nos prender na qualidade técnica dos jogadores. Àquilo que chamamos de futebol-arte nasceu, repito, por aqui mesmo, pelas questões tão bem colocadas pelo Gilberto Gil.

Nosso desvio metonímico – de trocar a parte pelo todo - parece ter outra motivação: mercadológica. O fim das categorias de base, por exemplo. Em alguns times elas foram simplesmente instintas. Em outros, são formados - a toque de caixa – times relâmpagos que tem por objetivo único revelar/vender jovens promessas. Afasta-se , assim, o conceito do futebol-conjunto, do futebol total, da bola de pé em pé. Pior que isso, afastam-se os “professores”, antigos mestres da bola e entram em cena profissionais/olheiros/empresário formados por esta nova estrutura mercadológica/ludopédica que se nos apresenta.

Acho, honestamente, muito difícil que esta lógica seja invertida. Exemplos que “vem de cima”, como a iniciativa do presidente do Santos de manter Neymar no clube e no Brasil podem acender uma luz de esperança nesse nevoeiro do futebol brasileiro. A questão está muito longe de ser simples.



segunda-feira, 18 de julho de 2011

Pequenas considerações sobre jornalismo e seleção brasileira

O jornalismo esportivo no Brasil passa por um processo de espetacularização sem precedentes. Confunde-se o ‘espetáculo esporte’ com a informação/análise sobre ele.

O desvio metonímico da parte (mídia) pelo todo (esporte, em especial o futebol) é exacerbado nos programas de tv – principalmente os de tv aberta. Aprisionados pela guerra da audiência, os noticiários de esporte deram lugar a programas de entretenimento.

Cortes de cabelo, cores de chuteira e um conteúdo em que tudo - exceto a informação - importam, ganham cada vez mais espaço na tela. Por outro lado, os formatos não lineares de edição confundem ainda mais este ‘novo telespectador’, que já nasceu na internet e usa a tv como complemento de seu conteúdo imagético. Quanto mais sensação, melhor. Quanto mais confusão, melhor.

Os novos ângulos de câmera, a linguagem informal e o bom humor não são um pecado. Aliás, nunca foram. Não são poucos os exemplos do passado que abusaram destes recursos. O problema é a falta de informação atual. Melhor dizendo, a substituição da informação pelo simples “entreter”.

É bem verdade que a crônica, enquanto gênero literário, nasce para entreter. Inaugurada na França pelo jornalista Jean Louis Geoffroy, em 1800 no Journal dês Débats, ela tinha a função de passar em revista os fatos da semana e entreter o leitor e conceder-lhe uma pausa para o descanso.

Mas será que não evoluímos de 1800 pra cá? Fico preocupado com a garotada que escolhe prestar jornalismo no vestibular e acha que jornalismo é isso. Ou apenas isso.

Ao lado da preocupação acadêmica, incomoda-me o lado torcedor da Seleção Brasileira de Futebol. Assim como setores midiáticos esquecem o principal – a notícia- a seleção de Mano Menezes esquece o futebol. Tudo é mais importante: o patrocínio, o cabelo, o assédio dos times europeus, a entrevista depois do jogo... Menos aquilo que é feito durante os 90 minutos.

Fico pensando que esta falta de comprometimento dos jogadores com a Camisa é que provocou o divórcio entre o torcedor e a seleção. Não vi ninguém chorando indignado pela derrota na Copa América. Talvez, ao invés de chorar, estejamos todos – a exemplo do presidente da CBF, ‘cagando’ para tudo isto.

Estamos a menos de três anos da Copa do Mundo no Brasil. O relógio corre pra imprensa, torcida, cartolas e jogadores. Mas a principal questão não é de velocidade. É de postura. Dentro e fora de campo.



Rodrigo Viana é jornalista esportivo da Tv Brasil e professor de pós-graduação em Jornalismo Esportivo na FMU

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011