segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Direito Autoral nos dribles de futebol

Sempre considerei o futebol uma arte. Nas minhas aulas, na Fiam, em São Paulo, faço questão de contextualizar o esporte à sociologia, antropologia, psicologia e uma série de outras ciências, que são fruto de um saber moderno.

Pra ficar mais fácil meu palavreado, quero dizer que música, poesia, teatro, cinema, circo, fotografia e futebol estão num mesmo patamar. Ou pelo menos é assim que vejo. E alguns teóricos da comunicação e da fisiologia começam a tratar assim o nobre esporte vindo da Gra-Bretanha.

O preâmbulo é pra estimular um debate: o direito autoral nos dribles. Que eu me lembre, e me corrijam os aficcionados, não há nenhum direito autoral pago pelo drible. Isso mesmo.

Paga-se direito autoral para um músico que compõe determinada letra ou melodia. Em teses acadêmicas, exige-se citação e crédito aos donos de determinada sentença. Enfim, crédito, a quem é de credito, é de direito. Mas, salvo engano enorme, o Didi nunca ganhou um centavo a mais pela “folha-seca”. Vez ou outra é citado por um saudosista bobo, como este que subscreve..

Quer outro exemplo? Então veja Rivelino. O inventor do “elástico” -sei que virão os mais sabidos dizerem que quem inventou foi um japonês, que o próprio Riva teria declarado isso – mas enfim, é um caso que teria solução com o Direito Autoral do drible.

Se o Leônidas da Silva tivesse patenteado a “bicicleta”, não seria apenas o “Diamante Negro”. Poderia faturar bem mais do que com o chocolate.

E já que o assunto é bicicleta, o que dizer das pedaladas do Robinho? Aliás, foi o Robinho que inventou as pedaladas? Debate aberto...

Como aprendi com um amigo que um texto é construído “no diálogo” entre leitor/autor, peço correções e exemplos de outros dribles/jogadas. Com a autoria reconhecida, de preferência.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Detalhes


É, talvez, a canção mais conhecida de Roberto Carlos, feita junto com seu eterno parceiro Erasmo Carlos. Foi anunciado que o Rei vem fazer um show em Araraquara, em novembro. O local é a Arena da Fonte Luminosa. Com capacidade para 25 mil pessoas, totalmente coberta e seguindo absolutamente todos os padrões Fifa, a Arena é uma obra sem precedentes para a cidade. Nada mais justo, portanto, um show de Roberto Carlos em palco tão esplêndido.

Um detalhe, no entanto, vem chamando a atenção da comunidade araraquarense. A notícia de que o jogo de inauguração da Arena seria realizado pela Sociedade Esportiva Palmeiras, numa de suas partidas válidas pelo campeonato brasileiro, em setembro.

Ainda segundo a informação, a preliminar seria disputada pela equipe de Futebol Feminino de Araraquara, numa justa homenagem ao time que, mesmo sem muitos recursos, já é bicampeão paulista. Ontem, durante uma coletiva de imprensa realizada na Arena, o prefeito confirmou que pretende mesmo trazer o time do Palestra Itália para inaugurar a nova Arena, num jogo que seria transmitido pela tv.

Mas, como diz a canção do Roberto: “não adianta nem tentar, me esquecer”. É a voz da história clamando pelos 59 anos de glórias, alegrias, tristezas e paixões de toda sorte geradas pela Ferroviária.

Não cabe aqui, neste artigo, enumerar os grandes feitos do nosso time. Também seria desproposital, neste momento, relembrar os últimos desmandos administrativos e a situação vexatória em que nos encontramos atualmente. Existe gente muito mais habilitada que eu para fazer isso. E você, leitor, encontra essas pessoas na esquina de sua casa, na banca de jornal ou no cafezinho da padaria. Porque a Ferroviária, assim como a Arena, é de domínio público.

Também não se trata de desacreditar o futebol feminino. É óbvio que as meninas merecem todo nosso apoio e reconhecimento. Penso que está havendo um erro de foco na discussão. Senão, vejamos.

Na data de inauguração da Fonte Luminosa (Estádio Adhemar de Barros), em 10 de junho de 1951, a Ferroviária recebeu o Vasco da Gama, do Rio de Janeiro, time que era base da Seleção Brasileira de Futebol, que havia acabado de conquistar o vice-campeonato Mundial no Maracanã.

Qual, então, seria a solução mais lógica para a inauguração da Arena?

Remontar historicamente a festa e trazer o Vasco da Gama para enfrentar a Ferroviária. Detalhe: o técnico do Vasco é o araraquarense e ex-jogador afenano, Dorival Junior. Tenho a informação, segura, de que os cariocas, viriam jogar sem problemas.

O olhar míope que não enxerga a tradição da camisa e vê apenas os jogadores, diria: mas nosso time é bem pior que o deles, estamos na terceira divisão, não temos condições de jogar no estádio. Verdade, mas em 1951, na inauguração da Fonte, o resultado foi de 5 x 0 para o Vasco e isso não passou de um mero Detalhe. Mais um. O importante era a Ferroviária estar inaugurando o estádio.

Mas voltemos a considerar que o Palmeiras faça o jogo de inauguração. A partida preliminar (embora eu já tenha ouvido de muitos engenheiros que um gramado novo como aquele não deveria ter dois jogos seguidos) poderia ser entre jogadores veteranos.

Sim! Porque não utilizarmos a ocasião para pagar uma dívida histórica com nossos craques. Um jogo entre os veteranos da Ferroviária e do Vasco. O número de ex-craques grenás que passaram por aqui e nunca receberam uma homenagem justa é imenso, você sabe leitor. Escale aí, na sua cabeça, um time veterano e verá.

Justiça seja feita, o prefeito disse, ontem, que tem conversado com o araraquarense Careca (ex-Guarani, Nápoli e Seleção Brasileira) e também está estudando a possibilidade de realizar um jogo entre a Seleção Brasileira de Masters e a Ferroviária.

Bem, eu sei que esses detalhes vão sumir na longa estrada, do tempo que transforma todo amor em quase nada. Mas, ainda compartilhando com o Rei Roberto, quero dizer, em nome da Ferroviária, que “um grande amor não vai morrer assim. Por isso, de vez em quando você vai, vai lembrar de mim...

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Entrevista


Num exercício de metalinguagem, de olhar pra si mesmo, sem deixar de olhar o outro, sugiro que deêm uma olhada nesta entrevista que concedi ao colega jornalista e amigo mineiro Pedro Varoni.
O Pedro também é blogueiro e dos melhores. Escritor de mão cheia. Sugiro a leitura dos posts dele. Os textos dele falam por sí.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

3 toques e uma homenagem

Durante a madrugada desta segunda-feira, fiquei asistindo à reprise da entrevista do escritor e jornalista Gay Tallese, no Roda Viva, da Tv Cultura. Humano, literário, profundo. Lembrei-me de vocações. Ele falava e me vinha à mente os ideais da adolescência, da fase antes do vestibular, dos porquês do jornalismo. Detalhe: Mr.Tallese tem 77 anos e é considerado o papa do new jornalism, um jornalismo escrito como se fosse ficção. Anima a gente!

Ainda na tv cultura, vi, nesta segunda-feira, uma entrevista do Chico Buarque no antigo e genial Vox Populi. Acho que o Chico só teve os cabelos envelhecidos. O pensamento continua o mesmo. Destaque para o momento em que ele fala que ao jogar futebol (ele é ponta de lança), sente o mesmo que sente quando compõe. Duas formas de arte, então.

Ontem Telê Santana faria aniversário. Quando de sua morte, escrevi a ele um texto. Alguns já leram, peço desculpas. Mas o publico novamente aqui embaixo.

Ah, deixem seus emails nos comentários. Gosto de comunicar.
Abraços


Telê Santana, lições de vida através do futebol

Goethe disse certa vez que aquele que se apóia em uma vontade firme, vive um mundo a seu gosto. Desde os tempos de meninote, carregava na mente juvenil o desejo de ver pessoalmente o técnico de futebol Telê Santana. Isto porque gostava dele. Simples assim.
Telê montou a Seleção Brasileira de 1982, conseguindo juntar num só time magia, democracia, alegria e inovação. Foi o primeiro a fechar um quadrado no meio campo e o último a abolir o que chamamos comumente de “futebol-arte”. Então, na minha cabeça, pensava: ainda vou conhecer esse homem, o Telê Santana.
Vida que passa, crianças crescendo, fios de cabelos brancos despontando em mim como a dizer: lembra-te menino, da tua promessa de criança - um menino sempre confia em outro menino. Pois bem, era chegada a hora!
O ano era 2002. A cidade, Belo Horizonte. Trabalhava eu numa afiliada da Rede Globo, a EPTV Sul de Minas e, neste momento fazia uma experiência na Tv Globo Minas. Chega-me o Elzo, ex-volante da Copa do México de 1986, comentarista da tv em que eu trabalhava, amigo de horas boas e ruins e diz: “Rodrigo, quer ir na casa do Telê Santana? Grava uma entrevista com ele: estamos na véspera da Copa e tal e coisa...”.
Mais que depressa avisei aos “superiores” que teriam uma entrevista com Telê Santana. Vale aqui um parêntese precioso: o Elzo, volante de capacidade técnica apenas razoável, mas com um senso de direção e “vontade” fora do comum, conseguia uma coisa impossível: entrar na casa do Telê. E ainda me levar junto.
“Aqui em casa só entra o Zico, o Júnior e o Elzo. Depois que o papai ficou doente, temos que selecionar um pouco, senão fica muita gente”, foi assim que o Renê Santana, filho do Telê, nos recebeu na porta de entrada de um pequeno, simples, porém aconchegante apartamento, num bairro médio de Belo Horizonte.
Entro no apartamento e me deparo com a cena que ficaria na minha retina para sempre - Telê sentado à mesa, olhar catatônico. Dona Ivonete, abnegada esposa, dando de colherinha, sopa na boca do mestre.
Tudo me vem à mente neste momento: a promessa que fiz a mim mesmo na infância, as lembranças do enérgico Telê na televisão, as histórias que o Elzo me contava sobre ele, o futebol mágico de 82, a derrota para a França em 86, o derrame de Telê...tudo...parecia cena de filme.
O cinegrafista Marco Nascimento, mais um colega perdido no tempo, me sacode: “acorda Rodrigo, vamos gravar”. Foi a melhor entrevista da minha vida! Lembro-me, como se fosse hoje, o Telê dizendo: “Eu levaria o Romário para a Copa, ele joga bonito”. E o Renê, filho atencioso, pedindo: “Rodrigo, não coloca isso no ar, papai está muito sensível, anda falando a verdade além da conta. E outra, somos amigos do Felipão, não queremos problema.” Atendi o pedido do Renê, tanto é que ao chegar à redação da Rede Globo, comentei com o editor da casa que, rapidamente, queria mandar a resposta do Telê para o programa “Fantástico”. Eu disse: olha amigo, só se você tomar a fita da minha mão, porque me comprometi com o Renê.”
Em meio à gravação, paramos para tomar um café forte, bem servido com a tradicional acolhida mineira da dona Ivonete, mulher simples e de fibra. Em dado momento, e até hoje não sei bem o porquê disso, ela me conta toda a história do início da doença de seu marido: “o Telê teve o derrame foi durante o cateterismo. Ele passou mal no treino e o levaram para o hospital. Ai, durante o exame é que teve o acidente cardiovascular. Não é como todo mundo pensa.”
Mais uma revelação bombástica - Pô, eu repórter em início de carreira, com o cubo da Rede Globo em mãos. Tinha a matéria do ano, a chance de firmar carreira na emissora ou alçar outros vôos, quem sabe....mas, antes disso, vinha a promessa de criança: um dia ainda vou conhecer o Telê Santana. Então, apenas hoje, e nestas maltraçadas linhas, revelo isto com gratidão. Se alguma coisa de bom na vida me fez essa carreira amarga de jornalista, que nos coloca em posição de atirar pedras a todo momento, foi estar ao lado desta família.
Já no fim da entrevista, aproximando-se o momento de ir embora, aquela cena ainda congelada em minha retina – a dona Ivonete dando sopa na boca de Telê - eu com a camisa da Ferroviária de Araraquara nas mãos: “Queria deixar um presente pra vocês Renê: sou de Araraquara, interior de São Paulo, a camisa do time da cidade...” O Telê olha e exclama: “Ferroviária!”, com aquele sorriso gostoso que só ele sabia dar: deu pra entender, pela expressão do rosto, a simpatia do mestre pelo time. Mais uma conquista da minha infância!
Olho pro Elzo. Ele, com tanta história no Atlético Mineiro, no Benfica de Portugal, no Palmeiras, um homem daquele tamanho, com lágrimas nos olhos: “ô Rodrigo, vamos indo, deixar o comandante descansar”. Engraçado e esclarecedor, o Elzo, depois de tantos anos, se referir ao Telê desta forma: comandante.
No início deste ano, a cena se repete: estávamos nos estúdios da Rede Mulher em São Paulo, ao vivo para todo o Brasil, no programa do Milton Neves: lembro de uma história do Telê e o Elzo deságua novamente em lágrimas. O Milton me fala no ar: “Rodrigo, você está emocionando o Elzo. “ Ao que respondo: “to nada, é o Telê que mudou a vida dele. O Elzo o tem como um pai.”
Numa outra ocasião, o Milton Neves me pede para entrevistar o Galhardo, ex-zagueiro do Fluminense, Corinthians e Ferroviária, décadas de ouro de 60 e 70. Ao fim da entrevista, o Galhardão me diz num sotaque carregado dos morros cariocas: “Pô rapaz, não dou entrevistas pra mais ninguém, mas já que contei estas histórias aí pra tú, deixa eu mandar um recado pra um amigo que fiz no Flu”. Ai ele começa a falar do Telê e chora, sua esposa, que acompanha a entrevista, chora também...
E assim teria outras mil histórias de menino pra contar de Telê. Só que hoje, 21 de abril, dia da Inconfidência e de Tiradentes, quem chora é o Brasil. Chora por este mineiro de Itabirito que trazia na veia o romantismo assumido. Telê nos ensinou a exercitar o amor, através do futebol. Lágrimas correm aqui, acolá e em todo os cantos.
Aos torcedores do Fluminense, aos são-paulinos, aos bugrinos, atleticanos, gremistas, brasileiros, aos seres humanos. O fio da esperança, agora, é nosso santo lá de cima. Santo Esperança Telê Santana.
Um outro mestre, este dos escritos, o Drumond, dizia que lutar com palavras é uma luta vã. Então não há mais nada a dizer. Não cabe.
Segue em paz, velho mestre. E vela por nós, para que possamos jogar bonito aqui embaixo.

terça-feira, 14 de julho de 2009

O barulho silencioso da Gaviões

Terça-feira.
Chegamos à quadra da Gaviôes da Fiel por volta das 6 da tarde.
Tambores, rojões, barulho. Torcedores tatuados de corinthians da cabeça aos pés. Em meio ao aparente caos, surge uma moça de feições suaves e voz firme:

“- Acabei de saber que viriam. É pra fazer a reportagem da torcida que vai a Porto Alegre, né?"

“- Isso. A gente...." - tentei continuar.

“-Olha eles vão viajar durante umas 20 horas. Isto só pra ir. Depois, mais vinte pra voltar...Vou arrumar uns personagens legais pra você gravar: tem um menino que vem de Goiânia pra cá todo jogo. E daqui vai pra onde o Corinthians for. Já volto” - sentenciou.

Nem precisei produzir a reportagem. A menina sacava as coisas rápido. Depois fiquei sabendo que Érica – acho que esse era o nome – era uma espécie de secretária da torcida. E resolvia tudo, com pulso firme : “Não dá tempo de brincar aqui, é muita gente”, comentou.
Era muita gente. 1200 torcedores que iriam até Porto Alegre, onde o Corinthians se tornaria campeão da Copa do Brasil, contra o Internacional. A viagem era de ônibus fretado, ou alugado. Alí na concentração, antes da partida, comecei, ainda que timidamente, prever o que seria mais uma demonstração de idolatria e fé.
Começamos a gravar. Gente de todos os tipos e cores: casais, filhos, trabalhadores
“– Mas vocês não trabalham amanhã?”
“-Trabalhamos, mas se perder o emprego e o Corinthians vencer , a gente arruma outro emprego melhor. Deus ajuda!”

“- Escuta, tudo bem, entendo um pouco a paixão de vocês, mas 20 horas de viagem, pra assistir duas horas de jogo e depois voltar em mais 20 horas, são dois dias inteiros, vale a pena?”
A resposta vem de uma senhora de 67 anos, isso mesmo, 67 anos
“ – Olha, vale muito a pena. Isso aqui é minha vida. Tanto é que meu marido fica em casa, não quer ir, nao vai.”- falou sem culpa.
“- E respeitam a senhora no ônibus? “
“- A gente se dá o respeito, né meu filho...”.
Começo a me apaixonar pela paixão deles. Em meio ao fanatismo encontro Dênis, diretor social da Gaviões da Fiel. “Rapaz, tô super nervoso, hoje à noite tenho que ir até a MTV, no programa do Lobão. Tenho um debate sobre torcida organizada. Todo mundo só debate a questão da violência, mas ninguém quer fazer reportagem do trabalho social.”

“- Olha Dênis. Eu vim fazer reportagem da viagem desse “bando de loucos”, mas posso escrever algo no meu blog pessoal, desde que o trabalho exista, de fato.”
“- Venha ver.”
E aí o espanto foi geral. Como pode uma torcida organizada, tão estereotipada pela grande mídia, oferecer sala de internet com reforço escolar para crianças da comunidade? Na segundo andar do ginásio ainda vejo uns atletas treinando e Dênis me socorre “-São aulas de arte marciais, também para o pessoal da comunidade”.
Ponderei que a questão das organizadas não era fácil. Que havia e há muitos precedentes, o tema é polêmico. E o Dênis corroborando: “Aqui existem os dois lados, como em qualquer outra inatiruição organizada da sociedade. Não dá pra generalizar, mas se o menino quiser ir para o lado bom, da cidadania, vai encontrar espaço”
Humildade, Lealdade e Procedimento. Olhei para a inscrição na parede do ginásio e comecei entender um pouco o outro lado da história. Absorto em meus pensamentos, fui “acordado” pelo Dênis:

“ -Está na hora da sopa, venha tomar um pouco com a gente.”, convidou, sorridente.
Cheguei à cozinha, fui apresentado às simpáticas cozinheiras - “Uma vez por semana, servimos sopa aqui na quadra da gaviões. O pessoal trabalha o dia inteiro e chega com fome. Experimenta”
Ainda não havia terminado o meu trabalho, mas tomei dois pratos da saborosa sopa. A meu lado, além da equipe de reportagem, estava o Maradona, cachorro que, segundo eu soube, já fazia parte da torcida.
Fui terminar minha gravação. Peguei outros ótimos personagens. Mas era outra coisa que me pegava: como entender aquela gente que só se vê caricaturizada nas brigas horríveis em programas de tv. Lembrei de uma frase que ouvi esses dias: Uma bomba faz mais barulho que
um abraço.
Dênis tirou umas fotografias. Pedi a ele pra me enviar. Enviou, no prazo combinado. Como enviou também informações do I Encontro Nacional de Torcidas Organizadas e Uniformizadas – Paz no Futebol.
Fiquei de escrever uma crônica, falando dessas pequenas coisas, que não fazem barulho. Estão aqui Dênis, neste pequeno espaço. Espero que faça um barulhinho.
abraços

segunda-feira, 29 de junho de 2009

O pai do Ronaldo

Sábado, manhã gelada em São Paulo e a preguiça ali, me pedindo pra ficar com ela. Fiquei um pouco, confesso. Pouco depois da 1 da tarde saí pra almoçar... Andei um pouco pela avenida Paulista observando os arranhásseis de cimento. Engraçado, como aos sábados, São Paulo lembra-me o interior e os prédios perdem sua força. Olhando pro alto, até o céu fica de interior... mas, ao menos por agora, deixemos essas bobas nostalgias de início de inverno.

Resolvi parar no Prainha, um restarante/choperia simpático, numa das travessas da Paulista. Sentei-me ao lado de outro solitário. O senhor, de pele escura de sol, ar acolhedor e sorriso no canto dos olhos, cumprimentou-me. Pareceu-me familiar. Aquele óculos suspenso na testa ... parecia...seu Nélio, o pai de Ronaldo. Sim, ele mesmo, o fenômeno.

- O senhor é o pai do Ronaldo? atrevi

- Sou, sou...- monassilabou com o canto da boca.

Numa das mãos um cigarro – Holywwod – é bom registrar. E na outra um copo de whisky. No início – e somente no início, fiquei em dúvida se deveria me aproximar mais, falar do Ronaldo, Corinthians....ou qualquer outra petulância descabida naquele momento. Fiquei quieto.Passou um rapaz na calçada e disse: “Sr. Nélio – sou fã do filho do senhor, hein...” nada que esse homem, de jeitão comum, não deva ter ouvido 1 zilhão de vezes...

Depois veio o garçom-chefe e estacionou ali. - “O Ronaldo vai pra Copa, o senhor vai ver”; - “Queria o Ronaldo no Guarani, sou de Campinas”, - “O Ronaldo jogou muito contra o Inter, fez um golaço..” enfim, bajulou toda a série de ronaldices que você, leitor, pode imaginar.

Pra minha surpresa, o seu Nélio entrou na conversa. Respondia ao garçom com tranqüilidade. Monossilabava, é verdade. Mas o olhar era de quem estava na conversa. E convidava-me à
tertúlia.

Mais um copo de whisky “O Dunga vivia grudado no Ricardo Teixeira, na Copa da França, em 2006. Ninguém me falou. Eu vi..eu estava lá....”. “O Mano é gente boa, parece bravo só na televisão.” “Onde já se viu o São Paulo mandar o Muricy embora”... Era seu Nélio – torcedor comum - opinando...“você é jornalista, deve saber melhor que eu”. Tudo o que sei é que nada sei. Sócrates, o filósofo acertara em cheio na Antiga Grécia. A essa altura, eu via chop e ele, com o inseparável whisky e cigarro holiwwod, já conversávamos na mesma freqüência.

Comecei a entender a simplicidade do Ronaldo. Não havia, nas palavras dele, nenhum tom de “pai do Ronaldo”. Perguntei a ele se estava no restaurante pelo nome: “Prainha”, pelo visual parecido com o do Rio de Janeiro. Ele falou que gostava sim do visual, mas havia parado ali por acaso, o mesmo acaso que me fez encontrá-lo. “Caminhei duas horas...do hotel até aqui, caminho todos os dias, faz bem, né? Faz sim, seu Nélio, faz bem ver como a vida é simples.

Não, não tirei nenhuma fotografia. Achei que seria gratuito. A imagética do texto é mais nítida, nesse caso. Teve uma frase que eu disse no meio da conversa, seu Nélio riu, levou na boa, mas foi inevitável. Acho que dá pra fechar a crônica com ela:

“ Se não fosse a porra do senhor, hein seu Nélio!”


Dança dos técnicos

Minha opinião é simples: São Paulo errou ao mandar o “comprometido” Muricy Ramalho embora. Identidade não se cria da noite para o dia.
Palmeiras acertou (demoradamente) ao se despedir de Vanderlei Luxemburgo. Só acho que o “estrategista” acabou montando sua saída. Ele sabia que Keirrison iria embora e , praticamente, “se despediu”.

Estou indo agora fazer Palmeiras x Santos. Espero, honestamente, que a campanha que boa parte da imprensa faz contra o Vagner Mancini, não seja motivo para o presidente do Santos, o amigo de Vanderlei Luxemburgo, Marcelo Teixeira, fazer a troca de técnicos. Mas acho difícil. Se Mancini perder, cai.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Mineira idade

Um trocadilho, pra dizer que os cabelos brancos, os calos e talos da vida afora, às vezes enferrujam os músculos, mas afinam a alma.

Há 3 dias fui a Atibaia, concentração do Cruzeiro, cobrir o treino dos mineiros para a partida contra o São Paulo, na Libertadores. Postei, aqui embaixo, minhas impressões (ou seriam intuições?) sobre o time mineiro e sua obstinação - principalmente a do treinador, Adílson Baptista.

Disseram-me eles - os jogadores Marquinhos Paraná, Leonardo Silva e , principalmente o Vágner - que o cruzeiro iria jogar a bola no Kléber para cavar a expulsão de algum jogador tricolor. Eduardo Costa foi expulso ainda no primeiro tempo, depois do primeiro cartão amarelo em falta cometida justamente em Kléber - bem apelidado pela torcida do Palmeiras de "Gladiador".

Quero dizer que considero Muricy Ramalho o melhor técnico do Brasil, e que tenho simpatia pelo São Paulo dos tempos de Telê. Mas quero dizer também que há 2 dias postei aqui no blog uma previsão (ou seria intuição?) de que o jogo seria, ao contrário do que dizem os grandes entendidos do futebol - ou aqueles que acham entendem - que o jogo seria difícil.

Foi difícil, principalmente para o São Paulo, que amargou uma derrota por 2 a 0 e está fora de seu - sempre - maior sonho de consumo: a Copa Libertadores.

A propósito, sugiro aos leitores uma vista sobre este texto, do colega jornalista Pedro Varoni, em crônica sobre Renato Andrade, maior violeiro do Brasil. Tem a ver com Minas, mineiridade, tem a ver com tudo.

Abraços