terça-feira, 12 de outubro de 2010
Crônica da Chegada
As linhas de cima tornaram-se concretude ontem. Depois da primeira semana de trabalho, tirei o dia pra me encontrar com o Rio de Janeiro.
Existe, e quem já veio ao Rio sabe disso, uma áurea especial nos cariocas. Em outra ocasião escrevi que deve ser porque a cidade maravilhosa une os dois maiores projetos do criador: o mar e a montanha. E o ser-humano acaba se amalgamando a essa natureza, meio que fazendo parte dela.
Ontem também foi aniversário do João Vítor, meu afilhado. Recordei que, certa vez, ao terminar o projeto que me daria o diploma de jornalista, grafei – em letras garrafais – nas dedicatórias: “Dedicado ao João Vítor, meu afilhado e quem o futuro pertence”. E nós chegamos no futuro, meu pequeno/grande João.
Estas memórias afetivas tem um motivo: o trabalho que me trouxe ao Rio. É o terceiro projeto do ano que engato na Tv Brasil. Toca-me, de maneira muito especial, os anseios de uma TV pública, com acesso à população e uma abordagem de conteúdo não convencional/comercial.
Por isso, o texto da vez soa mais como uma oração de agradecimento. Ao Divino, aos amigos e principalmente ao fluxo da vida que, assim como o mar, vai e vem.
Espero fazer um trabalho digno. E não decepcionar os que me acompanham.
Dedicado ao Bernardo, Théo, Enzo e Luiza, meus sobrinhos amados e quem o futuro pertence
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Muita calma nessa hora...
No momento em que escrevo este texto, a Ferroviária vem de uma série invicta de 8 vitórias na Copa Paulista. É um número a ser observado.
Dificilmente uma equipe, em qualquer torneio ou divisão, consegue tal feito. Muitos vão dizer que a Copa Paulista não serve pra nada ou, quando muito, serve para preparação do time para a série A-2. Concordo em parte.
É verdade, e esta ideia foi vendida pela diretoria, pela imprensa araraquarense e por toda comunidade, que a Copa Paulista serviria como laboratório para os comandados de João Martins. Ver quem serve e quem não serve para o próximo campeonato, que é o que realmente importa. A este respeito indico a leitura do blog: afegol.blogspot.com, em que o autor, Ricardo Gomes, faz uma análise individual dos jogadores.
Mas também é verdade que algo diferente está acontecendo. O até então instável (principalmente nas escalações) técnico João Martins parece ter conseguido dar um padrão de jogo ao time. Mais que isso, os jogadores do atual elenco parecem ter internalizado que a Arena da Fonte é "nossa casa". As exibições em Araraquara – sempre cercadas de descrédito – seja pela pressão da torcida, seja pelas dimensões do gramado, estão sendo boas.
Mas que o torcedor não se engane: logo virá uma derrota! Falando assim, soa pessimista, eu sei. Mas não é. É realista. Como todos sabem, esta Copa Paulista é uma experiência. E não há time que fique invicto pra sempre. Nunca é demais frisar que o importante, para a Ferroviária, é a série A-2, e logo depois, voltarmos à primeira divisão.
Então, um eventual título da Copa Paulista – e a classificação à Copa do Brasil – como já ocorreu em 2006, será lucro. Se ocorrer que bom! Se não, que bom também. O importante, neste momento, é que estamos formando uma base sólida para o Campeonato Paulista da série a-2. Bons jogadores, um padrão de jogo e um panorama de segurança que nos permite sonhar com o acesso – este sim desejado – à série A-1. E não chorar com rebaixamentos como tem ocorrido nos últimos anos.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Renê Simões quer ser o Diretor Técnico da Seleção
Tem o perfil.
Disse ainda que aceitaria ser um técnico-tampão. Mas quer ser é Diretor.
sábado, 5 de junho de 2010
Na Tv Brasil, o Repórter África, Copa 2010
Escrevi um guia especial da Copa do Mundo, encartado na Revista Imprensa, nas bancas a partir desta segunda-feira.
Leio a Imprensa desde os tempos de faculdade. Aprendi muito com ela e, agora, tenho a oportunidade de lançar um produto editorial na própria. E isso é bom. Inclusive pra fugir do estereótipo de que jornalista de tv não sabe escrever. É o que mais gosto de fazer.
De outro lado, volto pra tv depois de pequeno inverno. Desta vez num ambiente mais parecido comigo. Numa tv pública, aberta à população, mediando um programa diário sobre a Copa do Mundo.
O Repórter África estreia na próxima quinta-feira, dia 10, às 11 da noite na Tv Brasil. É uma revista eletrônica diária, com um olhar diferente sobre a Copa. Tratamento artístico nas matérias, convidados com perfil artístico e cultural. Coisa diferente. Verão.
Enquanto escrevo estas linhas daqui do Rio de Janeiro, invade-me uma sensação de dever cumprido. Aquilo que Laing disse ser a única coisa que pode nos salvar da loucura, do suicídio, da auto-anulação: um sentimento de glória interior. Essa expressão está sendo fundamental neste momento da minha vida.
E queria dividir isso com vocês. Solicitando ainda, que acompanhem tanto a revista como o programa na Tv.
Era isso.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Passeio Socrático
por Frei Beto
Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos em paz em seus mantos cor de açafrão.
Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir:
- "Qual dos dois modelos produz felicidade?"
Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei:
- "Não foi à aula?"
Ela respondeu: - "Não, tenho aula à tarde". Comemorei:
- "Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde".
- "Não", retrucou ela, "tenho tanta coisa de manhã..."
- "Que tanta coisa?", perguntei.
- "Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina", e começou a elencar seu programa de garota robotizada.
Fiquei pensando: - "Que pena, a Daniela não disse: "Tenho aula de meditação!"
Estamos construindo super-homens e supermulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados. Por isso as empresas consideram agora que, mais importante que o QI, é a IE, a Inteligência Emocional. Não adianta ser um superexecutivo se não se consegue se relacionar com as pessoas. Ora, como seria importante os currículos escolares incluírem aulas de meditação!
Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! - Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: "Como estava o defunto?". "Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!" Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?
Outrora, falava-se em realidade: análise da realidade, inserir-se na realidade, conhecer a realidade. Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Pode-se fazer sexo virtual pela internet: não se pega aids, não há envolvimento emocional, controla-se no mouse. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual, entramos na virtualidade de todos os valores, não há compromisso com o real! É muito grave esse processo de abstração da linguagem, de sentimentos: somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. Enquanto isso, a realidade vai por outro lado, pois somos também eticamente virtuais…
A cultura começa onde a natureza termina. Cultura é o refinamento do espírito. Televisão, no Brasil - com raras e honrosas exceções -, é um problema: a cada semana que passa, temos a sensação de que ficamos um pouco menos cultos. A palavra hoje é "entretenimento"; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela.
Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: "Se tomar este refrigerante, calçar este tênis, usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!"O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.
Os psicanalistas tentam descobrir o que fazer com o desejo dos seus pacientes. Colocá-los onde? Eu, que não sou da área, posso me dar o direito de apresentar uma sugestão. Acho que só há uma saída: virar o desejo para dentro. Porque, para fora, ele não tem aonde ir! O grande desafio é virar o desejo para dentro, gostar de si mesmo, começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor.. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.
Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Se alguém vai à Europa e visita uma pequena cidade onde há uma catedral, deve procurar saber a história daquela cidade - a catedral é o sinal de que ela tem história. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shopping centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingos. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...
Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno.... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do McDonald's…
Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: "Estou apenas fazendo um passeio socrático." Diante de seus olhares espantados, explico: Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz.
Sobre o Autor
Frei Beto : Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, escritor e assessor de movimentos sociais, é autor de "Típicos Tipos" (A Girafa), prêmio Jabuti 2005, entre outros livros.
segunda-feira, 29 de março de 2010
Armando Nogueira 83

Inspirado em México 70, crônica mais famosa do autor, publicada por ocasião da conquista do tri-mundial da seleção brasileira, no Jornal do Brasil
E as palavras, eu que vivo delas, onde estão? Onde estão as palavras para contar a vocês e a mim mesmo que Armando Nogueira morreu? O Brasil está triste e toda a multidão de leitores está em transe. Parece uma comoção nacional: admiradores com os olhos deitados nos livros, revistas, jornais e arquivos. Cem olhos a lembrá-lo.
Levam-lhe os jornais levam-lhe os livros. Sei que é total a alucinação nos quatro cantos do país, mas só tenho olhos para a cena insólita: há muito que arrancaram as crônicas esportivas dos jornais. Só faltava, agora, alguém tomar-lhe a vida, derradeiro poeta da bola. Uma pena lírica de um semideus dos escritos.
Mas, felizmente, a cautela e o sangue-frio vencem sempre: venceram, com o Brasil, o
Mundial de 70, e venceram, também, na hora em que o desvario pretendia deixar Armando Nogueira completamente esquecido aos olhos de quase duzentos milhões de brasileiros.
E lá se vai Armando, correndo pelo céu afora, coberto de glórias, coberto de lágrimas, atropelado por uma pequena multidão. Essa gente, que está aqui por amor, vai acabar
sufocando as crônicas de Armando Nogueira. Se os jornalistas não entram em campo para homenageá-lo, coitado dele.
Coitado, também, dos livros de Armando, pendurados em mil prateleiras – Drama e glória dos Bicampeões, Na Grande Área, Bola na Rede, O Melhor da Crônica Brasileira, Bola de Cristal, O Homem e a Bola, A Copa que ninguém viu e a que não queremos lembrar, O Canto dos meus Amores, A Ginga e o Jogo e um sombreiro imenso de outros textos, entrelaçando ficção e realidade, carregando, por todos os lados, o sabor da paixão coletiva.
O jornalismo brasileiro, nesse momento, é um manicômio: botafoguenses e vascaínos, corintianos e palmeirenses, flamenguistas e fluminenses, com bandeiras enormes, engalfinham-se num estranho esbanjamento de alegria e saudosismo.
Agora, quase não posso ver o futebol lá embaixo: chove reportagem e emoção no texto de Nogueira. Esse acreano que nasceu jornalista foi feito para o futebol: sua arquitetura de palavras põe o povo dentro do campo, criando um clima de intimidade que o futebol, somente em Armando Nogueira, toma emprestado à literatura.
Cantemos, amigos, a fiesta brava, cantemos agora, mesmo em lágrimas, os derradeiros instantes do mais bonito texto que meus olhos jamais sonharam ver.
Pela correção dos parágrafos, escritos em oitenta e três anos de vida. Pelo respeito com que todos os profissionais da imprensa prestam a ele, imagem a imagem, reportagem a reportagem, trocando informações, trocando consolo, trocando destinos que hão de se encontrar, novamente, em alguma crônica de Armando Nogueira.
Choremos a alegria de uma vida admirável em que o Brasil fez futebol de fantasia, fazendo amigos. Fazendo irmãos em todos os continentes.
Orgulha-me ver que o futebol, nossa vida, é o mais vibrante universo de paz que o
homem é capaz de iluminar com uma máquina de escrever, seu brinquedo fascinante. Oitenta e três anos, nenhuma baixa. Várias emissoras de TV e jornais – hoje ele morreu. Mas não há bandeiras de luto no mastro dos heróis do futebol.
Por isso, recebam, logo mais, no velório, no Maracanã, o herói do Mundial de 70, de 1994, de 2002 com a ternura que acolhe em casa os meninos que voltam do pátio, onde brincavam. Perdoem-me o arrebatamento que me faz sonegar-lhes a análise fria da obra de Armando Nogueira. Mas textos póstumos são assim mesmo: as análises
cedem vez aos rasgos do coração. Tenho uma vida profissional cheia de ídolos que já se foram e, em nenhum deles, falou-se de análises de vidas. Homenagem é sublimação, homenagem é pirâmide humana de olhos nas frases geniais de Armando Nogueira: “Heróis são reféns da glória. Vivem sufocados pela tirania da alta performance” ou, ainda: “Deus é esférico”. Homenagem é antes do nascimento, depois do nascimento. Nunca durante a vida.
Que humanidade, senão a do esporte, seria capaz de construir, sobre a abstração de um texto, a cerimônia a que assisto, neste instante, querendo chorar, querendo gritar? Os campeões mundiais de futebol em volta do caixão, a beijar a corpo de Armando Nogueira, pai adotivo de todos nós, brasileiros? Ternamente, o capitão Carlos Alberto cola o corpinho dele no seu rosto fatigado: escreveu para sempre, escreveu por ti, adorável peladeiro do Aterro do Flamengo. Armando, agora, é teu, amiguinho, que mataste tantas aulas de junho para ler seus textos. Ele é quem vai baixar, em espírito, no Jalisco de Guadalajara.
Sorve nos textos de Nogueira, amiguinho, a glória de Pelé e do nosso futebol, que tem a fragrância da nossa infância.
Armando Nogueira é eternamente teu, amiguinho.
Até que os deuses do futebol inventem outro.
Rodrigo Silva Viana é jornalista, com mestrado em Literatura. Analisou crônicas de futebol. É também professor de jornalismo esportivo na pós-graduação da FMU – Faculdade Metropolitanas Unidas.
segunda-feira, 22 de março de 2010
Da pureza 3
Depois, quando o Vasco arrancou rumo ao título da série B, tornei a fazê-lo presente.
Agora é o Santos, que ganha de 9 x 1.
O texto é velho, mas a pureza continua a mesma
"Vejo o Junior uma vez por ano. Seu Dorival, o pai, mora no Santana, pertinho da casa de meus saudosos avós maternos Dito e Niva. Quando é Natal ou outra data importante do ano, o pica-pau, apelido dele, pára pra prosear. Falamos de tudo: do seu trabalho como desenhista na Viana engenharia na Rua Expedicionários do Brasil, no São José, quando ainda cursava o técnico em agrimensura no Logatti. Ele pergunta por meu pai e tios, depois lembro do futebol dele na Ferroviária na década de 80. Palmeiras, Grêmio, Juventude e outros tantos. No fim do ano passado paramos naquela mesma esquina para conversar:
- Fui convidado para dirigir o Paysandu. O time está na série A do Brasileiro, mas vou agradecer e recusar. Formaram a equipe agora. Tudo na vida tem que ser feito aos poucos, por etapas – contou o Junior no seu tom sereno e tranqüilo. Resultado dessa conversa: o Junior foi dirigir o Sport Recife e terminou como campeão pernambucano e o Paysandu, sem Junior nenhum comandando, foi rebaixado para a segunda divisão.
Ultimamente, além da esquina da casa da vó, o Brasil está tendo a oportunidade de conhecer de perto o Dorival Junior . Todos os finais de semana, em rede nacional, nas principais emissoras de televisão do Brasil ou nos jornais da capital, todos se perguntam, assombrados, quem é esse rapaz que conseguiu aplicar, de uma só vez, um nó tático no Muricy Ramalho do São Paulo e outro no Santos, do inatingível Vanderley Luxemburgo.
O rapaz, técnico do time do São Caetano, é sobrinho do moço de Araraquara. O moço de Araraquara – expressão criada por Fiori Gigllioti - é o Dudu, médio-volante dos áureos tempos grenás e mágico da academia de futebol do Palmeiras dos anos 70.
Assim como o Dudu , o Junior é cria da Ferroviária. A classe que ele ostenta com as palavras – a mesma que, ao lado do tio, tratava a bola – certamente está relacionada com o fato de os dois terem surgido na Ferroviária.
Claro que a boa educação que Junior e Dudu receberam da família influenciaram suas trajetórias. Mas como disse o escritor Lourenço Diaféria em sua crônica Que Simpatia!, em 1968, `além da simpatia, a Ferroviária possui também a fortaleza dos times de bem, cultivando o futebol com carinho e seriedade. Para ela, o futebol não é um fim, é um meio. Um instrumento de afirmação, uma ferramenta de trabalho, pela qual zela e do qual cuida.`
Talvez seja também por isso que o treinador da Ferroviária, Édson Só, vem fazendo este trabalho primoroso na série A-3 do campeonato paulista. Deve também ser esta a exata explicação para o gol nos acréscimos do Leandro Donizete na vitória grená do último sábado.
O momento do Junior no São Caetano e da Ferroviária no Paulista da A-3 convergem para o mesmo caminho que fazia os grandes tremerem em Araraquara nas décadas de 60, 70 e 80. A locomotiva parece caminhar de volta aos trilhos. "
quinta-feira, 11 de março de 2010
Twitteneurose
Mas também perco amizades. Dia destes, um ex-amigo de outro estado do Brasil, me desejou, via twitter, o inferno. Isto mesmo! “Então vai pro inferno” foi a tuitada dele, em tom agressivo. O motivo? Dei um unfollow em seu perfil. Ou, para traduzir, parei segui-lo – o cara escrevia compulsivamente sobre tudo e todos e ainda retuitava (replicava conteúdo de outras pessoas) a todo momento. Expliquei pra ele que os twitters dele me atrapalhavam, que eu precisava trabalhar, que usava o microblog como fonte de informação/discussão...nada adiantou. Tive que contentar-me em procurar o caminho do inferno, logo eu, que vivo buscando a estrada oposta – a do paraíso.
Hoje acordei disposto, alegre, com um monte de planos e trabalhos pra fazer. Ao acessar o microblog, deparei-me com uma mensagem de uma amiga: “ Estou brava com você, porque não respondeu meus twitters”. Pensei em responder dizendo a verdade, isto é, que não tive tempo, ou que não acho assim tão importante dar “bom dia” no twitter, que prefiro relações reais, enfim. Guardei-me.
Vim para o papel em branco e rabisquei isto que lêem. Continuo achando uma maravilha as novas ferramentas da interatividade digital e suas possibilidades de comunicação. Mas abomino qualquer forma de ruído que as novas mídias possam gerar. Principalmente quando não há motivo pra isso. Já temos neuroses demais com que nos preocupar.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Luis Barbosa

Aí que veio o melhor do jogo. Sim, o melhor momento da partida foi após a partida. Primeiro pelas minhas patacoadas: o cabo do microfone não chegava até onde o goleiro estava. Gritei frenética e ridiculamente para ele: “Venha até aqui...por favor, até aqui”.
Tranquilo, depois de atender outros jornalistas, Luis Guilherme caminhou até onde eu me encontrava. Com algumas várias vozes nos ouvidos (quem já fez reportagens ao vivo ou escutou duas emissoras de rádio ao mesmo tempo, sabe do que estou falando) comecei a entrevista perguntando quantos pênaltis ele havia agarrado. Deu-me um branco geral, afinal estava preocupado com o microfone, o fio, a distância... e, num lapso do tempo, o mais importante, a informação, foi-se de mim. Educadamente, o Luis Guilherme respondeu que havia pego três pênaltis, que estava cumprindo o trabalho dele e que o mérito era todo do grupo. Comecei a assustar-me!
Onde tanta calma e serenidade depois de uma verdadeira batalha? Um jogo nervoso, uma disputa de pênaltis. Qual a sua idade, indaguei: - Eu tenho 17 anos, respondeu o menino-homem que freqüenta as seleções brasileiras de base desde os 14 anos.
Percebi uma jóia rara ali. E emendei, de primeira: “Qual o seu ídolo? Júlio César, Dida, Tafarell?”
“- Olha, tenho respeito pelo Júlio César, pelo Dida, pelo Tafarell, mas meu grande ídolo é o Barbosa, da Seleção de 50. Não acompanhei ele jogar porque não era nascido, mas li toda sua biografia. É meu verdadeiro ídolo!”
Massacrado covardemente por grande parte da imprensa e da torcida brasileira durante toda sua vida, Barbosa recebia, naquele momento, de um menino, negro como ele, excelente goleiro como ele, sua mais autêntica redenção!
“- Olha João ... você está de parabéns por essa declaração”. Sim, completamente aturdido pelo gigantismo do garoto Luis Guilherme, chamei-o João. Decerto minha mente associou-o a um João gigante como ele, talvez o João do Pulo. O Júlio César, “Uri Geller”, espetacular ponta esquerda do Flamengo de Zico, comentava a partida e foi na minha: “É o João Barbosa!”
Certamente que os erros de nome, fios e microfones ficaram menor perto da grandeza do Luis Guilherme. Ou melhor, do “Luis Barbosa”. Encerro este pequeno rabisco tomando emprestada a pena de um grande escritor, que assim como o Luis Guilherme, conhecia as virtudes do grande Barbosa:
“Certamente, a criatura mais injustiçada na história do futebol brasileiro. Era um goleiro magistral. Fazia milagres, desviando de mão trocada bolas envenenadas. O gol de Gighia, na final da Copa de 50, caiu-lhe como uma maldição. E quanto mais vejo o lance, mais o absolvo. Aquele jogo o Brasil perdeu na véspera.”
(Armando Nogueira)
Gaivões surpreendendo novamente

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Feliz Natal
Reitero a observação exata de como a solidariedade dá as caras neste momento. Quisera todos os dias, fossem noites de Natal.
Quisera o mundo não fosse tão hostil e pudéssemos descerrar os nós dos sentidos em todas as épocas do ano.
Desejo aos meus amigos, aos não tão amigos, aos desconhecidos, aos bem conhecidos, a minha família de origem e à família que de companheiros que escolhi aqui no planeta Azul, uma plêiade de alegrias e transformações.
Beijo no coração de todos.
Feliz Natal. Grande Ano Novo. E alegrias novinhas em folha.
sempre
rodrigo
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Só podia ser você

sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Versão brasileira: homenagem fora de hora

Quem, da nossa geração nunca foi assistir a um filme dublado e ouviu a voz onipresente do locutor, "versão brasileira- Hebert Richers" Pois é, este homem era real, existia até bem poucas horas.
Há cerca de 3 anos, o amigo jornalista Luis Augusto Zakaib, informou-me sobre a "cidadania" araraquarense de Richers. Pensamos em fazer um documentário, ou até roteirizar algo para algum veículo que comprasse a idéia. Ninguém comprou.
A idéia e os apoios também morerram.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Exagerado

quarta-feira, 18 de novembro de 2009
O dia em que o céu se pintou de grená

*texto publicado originariamente no site http://www.ferroviariasa.com.br/
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Direito Autoral nos dribles de futebol
Pra ficar mais fácil meu palavreado, quero dizer que música, poesia, teatro, cinema, circo, fotografia e futebol estão num mesmo patamar. Ou pelo menos é assim que vejo. E alguns teóricos da comunicação e da fisiologia começam a tratar assim o nobre esporte vindo da Gra-Bretanha.
O preâmbulo é pra estimular um debate: o direito autoral nos dribles. Que eu me lembre, e me corrijam os aficcionados, não há nenhum direito autoral pago pelo drible. Isso mesmo.
Paga-se direito autoral para um músico que compõe determinada letra ou melodia. Em teses acadêmicas, exige-se citação e crédito aos donos de determinada sentença. Enfim, crédito, a quem é de credito, é de direito. Mas, salvo engano enorme, o Didi nunca ganhou um centavo a mais pela “folha-seca”. Vez ou outra é citado por um saudosista bobo, como este que subscreve..
Quer outro exemplo? Então veja Rivelino. O inventor do “elástico” -sei que virão os mais sabidos dizerem que quem inventou foi um japonês, que o próprio Riva teria declarado isso – mas enfim, é um caso que teria solução com o Direito Autoral do drible.
Se o Leônidas da Silva tivesse patenteado a “bicicleta”, não seria apenas o “Diamante Negro”. Poderia faturar bem mais do que com o chocolate.
E já que o assunto é bicicleta, o que dizer das pedaladas do Robinho? Aliás, foi o Robinho que inventou as pedaladas? Debate aberto...
Como aprendi com um amigo que um texto é construído “no diálogo” entre leitor/autor, peço correções e exemplos de outros dribles/jogadas. Com a autoria reconhecida, de preferência.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Detalhes

Um detalhe, no entanto, vem chamando a atenção da comunidade araraquarense. A notícia de que o jogo de inauguração da Arena seria realizado pela Sociedade Esportiva Palmeiras, numa de suas partidas válidas pelo campeonato brasileiro, em setembro.
Ainda segundo a informação, a preliminar seria disputada pela equipe de Futebol Feminino de Araraquara, numa justa homenagem ao time que, mesmo sem muitos recursos, já é bicampeão paulista. Ontem, durante uma coletiva de imprensa realizada na Arena, o prefeito confirmou que pretende mesmo trazer o time do Palestra Itália para inaugurar a nova Arena, num jogo que seria transmitido pela tv.
Mas, como diz a canção do Roberto: “não adianta nem tentar, me esquecer”. É a voz da história clamando pelos 59 anos de glórias, alegrias, tristezas e paixões de toda sorte geradas pela Ferroviária.
Não cabe aqui, neste artigo, enumerar os grandes feitos do nosso time. Também seria desproposital, neste momento, relembrar os últimos desmandos administrativos e a situação vexatória em que nos encontramos atualmente. Existe gente muito mais habilitada que eu para fazer isso. E você, leitor, encontra essas pessoas na esquina de sua casa, na banca de jornal ou no cafezinho da padaria. Porque a Ferroviária, assim como a Arena, é de domínio público.
Também não se trata de desacreditar o futebol feminino. É óbvio que as meninas merecem todo nosso apoio e reconhecimento. Penso que está havendo um erro de foco na discussão. Senão, vejamos.
Na data de inauguração da Fonte Luminosa (Estádio Adhemar de Barros), em 10 de junho de 1951, a Ferroviária recebeu o Vasco da Gama, do Rio de Janeiro, time que era base da Seleção Brasileira de Futebol, que havia acabado de conquistar o vice-campeonato Mundial no Maracanã.
Qual, então, seria a solução mais lógica para a inauguração da Arena?
Remontar historicamente a festa e trazer o Vasco da Gama para enfrentar a Ferroviária. Detalhe: o técnico do Vasco é o araraquarense e ex-jogador afenano, Dorival Junior. Tenho a informação, segura, de que os cariocas, viriam jogar sem problemas.
O olhar míope que não enxerga a tradição da camisa e vê apenas os jogadores, diria: mas nosso time é bem pior que o deles, estamos na terceira divisão, não temos condições de jogar no estádio. Verdade, mas em 1951, na inauguração da Fonte, o resultado foi de 5 x 0 para o Vasco e isso não passou de um mero Detalhe. Mais um. O importante era a Ferroviária estar inaugurando o estádio.
Mas voltemos a considerar que o Palmeiras faça o jogo de inauguração. A partida preliminar (embora eu já tenha ouvido de muitos engenheiros que um gramado novo como aquele não deveria ter dois jogos seguidos) poderia ser entre jogadores veteranos.
Sim! Porque não utilizarmos a ocasião para pagar uma dívida histórica com nossos craques. Um jogo entre os veteranos da Ferroviária e do Vasco. O número de ex-craques grenás que passaram por aqui e nunca receberam uma homenagem justa é imenso, você sabe leitor. Escale aí, na sua cabeça, um time veterano e verá.
Justiça seja feita, o prefeito disse, ontem, que tem conversado com o araraquarense Careca (ex-Guarani, Nápoli e Seleção Brasileira) e também está estudando a possibilidade de realizar um jogo entre a Seleção Brasileira de Masters e a Ferroviária.
Bem, eu sei que esses detalhes vão sumir na longa estrada, do tempo que transforma todo amor em quase nada. Mas, ainda compartilhando com o Rei Roberto, quero dizer, em nome da Ferroviária, que “um grande amor não vai morrer assim. Por isso, de vez em quando você vai, vai lembrar de mim...
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Entrevista

O Pedro também é blogueiro e dos melhores. Escritor de mão cheia. Sugiro a leitura dos posts dele. Os textos dele falam por sí.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
3 toques e uma homenagem
Ainda na tv cultura, vi, nesta segunda-feira, uma entrevista do Chico Buarque no antigo e genial Vox Populi. Acho que o Chico só teve os cabelos envelhecidos. O pensamento continua o mesmo. Destaque para o momento em que ele fala que ao jogar futebol (ele é ponta de lança), sente o mesmo que sente quando compõe. Duas formas de arte, então.
Ontem Telê Santana faria aniversário. Quando de sua morte, escrevi a ele um texto. Alguns já leram, peço desculpas. Mas o publico novamente aqui embaixo.
Ah, deixem seus emails nos comentários. Gosto de comunicar.
Abraços
Telê Santana, lições de vida através do futebol
Goethe disse certa vez que aquele que se apóia em uma vontade firme, vive um mundo a seu gosto. Desde os tempos de meninote, carregava na mente juvenil o desejo de ver pessoalmente o técnico de futebol Telê Santana. Isto porque gostava dele. Simples assim.
Telê montou a Seleção Brasileira de 1982, conseguindo juntar num só time magia, democracia, alegria e inovação. Foi o primeiro a fechar um quadrado no meio campo e o último a abolir o que chamamos comumente de “futebol-arte”. Então, na minha cabeça, pensava: ainda vou conhecer esse homem, o Telê Santana.
Vida que passa, crianças crescendo, fios de cabelos brancos despontando em mim como a dizer: lembra-te menino, da tua promessa de criança - um menino sempre confia em outro menino. Pois bem, era chegada a hora!
O ano era 2002. A cidade, Belo Horizonte. Trabalhava eu numa afiliada da Rede Globo, a EPTV Sul de Minas e, neste momento fazia uma experiência na Tv Globo Minas. Chega-me o Elzo, ex-volante da Copa do México de 1986, comentarista da tv em que eu trabalhava, amigo de horas boas e ruins e diz: “Rodrigo, quer ir na casa do Telê Santana? Grava uma entrevista com ele: estamos na véspera da Copa e tal e coisa...”.
Mais que depressa avisei aos “superiores” que teriam uma entrevista com Telê Santana. Vale aqui um parêntese precioso: o Elzo, volante de capacidade técnica apenas razoável, mas com um senso de direção e “vontade” fora do comum, conseguia uma coisa impossível: entrar na casa do Telê. E ainda me levar junto.
“Aqui em casa só entra o Zico, o Júnior e o Elzo. Depois que o papai ficou doente, temos que selecionar um pouco, senão fica muita gente”, foi assim que o Renê Santana, filho do Telê, nos recebeu na porta de entrada de um pequeno, simples, porém aconchegante apartamento, num bairro médio de Belo Horizonte.
Entro no apartamento e me deparo com a cena que ficaria na minha retina para sempre - Telê sentado à mesa, olhar catatônico. Dona Ivonete, abnegada esposa, dando de colherinha, sopa na boca do mestre.
Tudo me vem à mente neste momento: a promessa que fiz a mim mesmo na infância, as lembranças do enérgico Telê na televisão, as histórias que o Elzo me contava sobre ele, o futebol mágico de 82, a derrota para a França em 86, o derrame de Telê...tudo...parecia cena de filme.
O cinegrafista Marco Nascimento, mais um colega perdido no tempo, me sacode: “acorda Rodrigo, vamos gravar”. Foi a melhor entrevista da minha vida! Lembro-me, como se fosse hoje, o Telê dizendo: “Eu levaria o Romário para a Copa, ele joga bonito”. E o Renê, filho atencioso, pedindo: “Rodrigo, não coloca isso no ar, papai está muito sensível, anda falando a verdade além da conta. E outra, somos amigos do Felipão, não queremos problema.” Atendi o pedido do Renê, tanto é que ao chegar à redação da Rede Globo, comentei com o editor da casa que, rapidamente, queria mandar a resposta do Telê para o programa “Fantástico”. Eu disse: olha amigo, só se você tomar a fita da minha mão, porque me comprometi com o Renê.”
Em meio à gravação, paramos para tomar um café forte, bem servido com a tradicional acolhida mineira da dona Ivonete, mulher simples e de fibra. Em dado momento, e até hoje não sei bem o porquê disso, ela me conta toda a história do início da doença de seu marido: “o Telê teve o derrame foi durante o cateterismo. Ele passou mal no treino e o levaram para o hospital. Ai, durante o exame é que teve o acidente cardiovascular. Não é como todo mundo pensa.”
Mais uma revelação bombástica - Pô, eu repórter em início de carreira, com o cubo da Rede Globo em mãos. Tinha a matéria do ano, a chance de firmar carreira na emissora ou alçar outros vôos, quem sabe....mas, antes disso, vinha a promessa de criança: um dia ainda vou conhecer o Telê Santana. Então, apenas hoje, e nestas maltraçadas linhas, revelo isto com gratidão. Se alguma coisa de bom na vida me fez essa carreira amarga de jornalista, que nos coloca em posição de atirar pedras a todo momento, foi estar ao lado desta família.
Já no fim da entrevista, aproximando-se o momento de ir embora, aquela cena ainda congelada em minha retina – a dona Ivonete dando sopa na boca de Telê - eu com a camisa da Ferroviária de Araraquara nas mãos: “Queria deixar um presente pra vocês Renê: sou de Araraquara, interior de São Paulo, a camisa do time da cidade...” O Telê olha e exclama: “Ferroviária!”, com aquele sorriso gostoso que só ele sabia dar: deu pra entender, pela expressão do rosto, a simpatia do mestre pelo time. Mais uma conquista da minha infância!
Olho pro Elzo. Ele, com tanta história no Atlético Mineiro, no Benfica de Portugal, no Palmeiras, um homem daquele tamanho, com lágrimas nos olhos: “ô Rodrigo, vamos indo, deixar o comandante descansar”. Engraçado e esclarecedor, o Elzo, depois de tantos anos, se referir ao Telê desta forma: comandante.
No início deste ano, a cena se repete: estávamos nos estúdios da Rede Mulher em São Paulo, ao vivo para todo o Brasil, no programa do Milton Neves: lembro de uma história do Telê e o Elzo deságua novamente em lágrimas. O Milton me fala no ar: “Rodrigo, você está emocionando o Elzo. “ Ao que respondo: “to nada, é o Telê que mudou a vida dele. O Elzo o tem como um pai.”
Numa outra ocasião, o Milton Neves me pede para entrevistar o Galhardo, ex-zagueiro do Fluminense, Corinthians e Ferroviária, décadas de ouro de 60 e 70. Ao fim da entrevista, o Galhardão me diz num sotaque carregado dos morros cariocas: “Pô rapaz, não dou entrevistas pra mais ninguém, mas já que contei estas histórias aí pra tú, deixa eu mandar um recado pra um amigo que fiz no Flu”. Ai ele começa a falar do Telê e chora, sua esposa, que acompanha a entrevista, chora também...
E assim teria outras mil histórias de menino pra contar de Telê. Só que hoje, 21 de abril, dia da Inconfidência e de Tiradentes, quem chora é o Brasil. Chora por este mineiro de Itabirito que trazia na veia o romantismo assumido. Telê nos ensinou a exercitar o amor, através do futebol. Lágrimas correm aqui, acolá e em todo os cantos.
Aos torcedores do Fluminense, aos são-paulinos, aos bugrinos, atleticanos, gremistas, brasileiros, aos seres humanos. O fio da esperança, agora, é nosso santo lá de cima. Santo Esperança Telê Santana.
Um outro mestre, este dos escritos, o Drumond, dizia que lutar com palavras é uma luta vã. Então não há mais nada a dizer. Não cabe.
Segue em paz, velho mestre. E vela por nós, para que possamos jogar bonito aqui embaixo.
terça-feira, 14 de julho de 2009
O barulho silencioso da Gaviões
Tambores, rojões, barulho. Torcedores tatuados de corinthians da cabeça aos pés. Em meio ao aparente caos, surge uma moça de feições suaves e voz firme:
“- Acabei de saber que viriam. É pra fazer a reportagem da torcida que vai a Porto Alegre, né?"
“-Olha eles vão viajar durante umas 20 horas. Isto só pra ir. Depois, mais vinte pra voltar...Vou arrumar uns personagens legais pra você gravar: tem um menino que vem de Goiânia pra cá todo jogo. E daqui vai pra onde o Corinthians for. Já volto” - sentenciou.
Nem precisei produzir a reportagem. A menina sacava as coisas rápido. Depois fiquei sabendo que Érica – acho que esse era o nome – era uma espécie de secretária da torcida. E resolvia tudo, com pulso firme : “Não dá tempo de brincar aqui, é muita gente”, comentou.
“- Escuta, tudo bem, entendo um pouco a paixão de vocês, mas 20 horas de viagem, pra assistir duas horas de jogo e depois voltar em mais 20 horas, são dois dias inteiros, vale a pena?”
“- Olha Dênis. Eu vim fazer reportagem da viagem desse “bando de loucos”, mas posso escrever algo no meu blog pessoal, desde que o trabalho exista, de fato.”
“ -Está na hora da sopa, venha tomar um pouco com a gente.”, convidou, sorridente.